Quando ouço falar em crise no ensino brasileiro, em simpósios para se discutir em linguagem filosófica e política, indisfarcavelmente demagógica, as soluções propostas pelos detentores das rédeas da educação no nosso país — Newton Sucupira & Cia — me vem à lembrança o antigo Liceu Paraibano ou o velho Colégio Pio X, na década de cinquenta, onde se respirava cultura, em seus pátios e corredores. Escolas onde se aprendia mais a respeito de eminentes pensadores e cientistas, do que nas mal iluminadas e desconfortáveis salas de aulas de nossa universidade. Evidentemente a tradição cultural era mantida pelos estudos do Latim e de autores clássicos na área humanística sem que se descuidassem dos contemporâneos.
Apesar de uma sociedade habitualmente conservadora e repressora, vivia-se um clima de verdadeira liderança política: Wellington Aguiar, Antônio Mariz, Clemente Rosas, Mario Silveira, etc.; portanto, cabe às novas gerações, apresentarem, de modo insofismável e objetivo, mudanças que inevitavelmente surgem durante o processo de reposição de valores, sem que se perca sua universal essencialidade.
Lamentavelmente o que ocorre é uma avalanche de movimentos pseudopolíticos, carentes de conteúdo ideológico e onde inexiste o bom senso e a razão.
De nada valerá expressar ou justificar frustrações, de maneira inadequada, e se revoltar pelo simples fato de se ser contra o que quer que seja, numa atitude que traduz, no final de contas, uma autocorriminação ou, pior ainda, uma mortificação destruidora e desesperada.
Antigamente, sofria-se de uma crise intelectual, enquanto hoje sofre-se de uma enfermidade contagiosa chamada neurose coletiva. Destituídos de uma visão normal pela pura ignorância, vislumbram apenas sombras de uma imagem que deveria ser nítida e sem ambiguidades.
O que pensam os nossos estudantes de hoje? Que espécie de ideologia professam? Que estudos verdadeiramente sérios teriam realizado sobre Marx e Engels, nos quais se apoiam em suas reivindicações? Afinal, qual o pensamento das novas gerações — salvo raras e honrosas exceções — a respeito dos rumos a serem seguidos pela humanidade?
Malgrado conviver com eles, no exercício da atividade docente, verificamos uma “inocência crônica” de nossos pupilos no que se refere a conhecimentos gerais. Chegam ao cúmulo de ignorarem a posição geográfica dos países situados em nosso hemisfério, ou não saber distinguir uma ameba de um paramécio, ou, mais grave ainda, desconhecer a elementaríssima operação com frações decimais.
Observa-se, não obstante uma fria indiferença com relação à atividade acadêmica em si, um comportamento obsessivo quanto à obtenção de notas imerecidas, a fim de obterem, pela admirável habilidade da “cola”, a qual representa a marca registrada do “bom” estudante. O resultado já podemos prever: a saída triunfal do bacharelando ou “doutor” através da ritualística formatura em direção a um mercado de trabalho já saturado.
“O tempora! O mores! Quousque tandem abutere, Educatio, patientia nostra?”
A época dos insignes e eruditos mestres já não mais pertence à história contemporânea. Quão lamentável o desaparecimento ou obscurecimento dos mestres de outrora: Prof. Asdrubal Oliveira, Luiz Gonzaga Burity, Olivina Carneiro da Cunha, João Medeiros, Aníbal Moura, Arnaldo Tavares, Kleber Marques, Augusto Simões, Leon Clerot, Antônio Morais, Pedro Nicodemos, Milton Paiva, Virginius da Gama e Melo, e tantos outros, que honravam e honram as cátedras que lhes foram confiadas. Áurea época da educação brasileira!
Ao finalizarmos, gostaríamos de mencionar a profícua e nem sempre devidamente estimada administração de um reitor do nível de um Prof. Mario Moacyr Porto, a quem, queiram gregos ou troianos, muito deve a educação superior da Paraíba.