Não seria exagero afirmar que Kant, em sua análise da estética (que apresenta uma inesgotável fonte de profundos e exaustivos estudos), conseguiu alcançar o âmago da questão, apesar de qualquer crítica feita às limitações da filosofia idealista alemã.
“A crítica do juízo” é uma das melhores obras escritas sobre tão controvertido assunto. A propósito, quem não desejaria uma explicação racional e satisfatória acerca do verdadeiro significado deste fenômeno aparentemente misterioso, esotérico e inútil, que é a obra de arte? Que grande importância teria para nós e qual seria a sua utilidade? Quão indispensável à sociedade? Estas e outras indagações já se tornaram um lugar-comum para tecnocratas e burocratas; homens muito mais voltados para a solução de problemas imediatos concernentes ao bem-estar social, do que à satisfação de interesses subjetivos de ordem espiritual.
Porém, como “nem só de pão vive o homem”, em todas as épocas houve a incrementação dos valores estéticos que guiaram as grandes civilizações. Sem estes axiomas, nunca teríamos alcançado o fastígio cultural registrado pelos historiadores.
Para Kant, o gosto não é somente o julgamento do sentimento, mas também um sentimento do julgamento: isto é, uma espécie de consenso universal afetivo. Por conseguinte é a harmonia o tema essencial da estética kantiana.
Diz Kant: “O gosto é a faculdade de julgar um objeto ou um modo de representação pela satisfação ou o desprazer de uma maneira totalmente desinteressada”. A beleza é então o objeto desta satisfação. Mais adiante escreve o autor da “Crítica do Juízo”: “A beleza é o que agrada universalmente sem conceitos”. “É a própria beleza que constitui a forma da finalidade de um objeto”.
Kant advoga a tese da necessidade da arte como um modo da satisfação mais transcendental. Sua apologia da arte não se realiza sem prosseguir sistematicamente as teorias filosóficas de seus antecessores. Além do assunto ser complexo, a estética é estudada de um ponto de vista estritamente filosófico, o que obriga o leitor comum a possuir — quanto mais melhor — uma sólida formação, sobretudo de suas duas primeiras críticas, ou seja, “A Crítica da Razão Pura” e “Crítica da Razão Prática”.
Curiosa é a afirmação do ilustre filósofo alemão — que o sentimento estético reside na harmonia do entendimento e da imaginação. Contudo o sublime, em sua subjetividade, é inacessível à intuição.
Immanuel Kant estabeleceu, sem dúvida nenhuma, os prolegômenos de uma futura ciência da arte.