Geralmente achamos que a agressividade numa pessoa deve ser combatida ou desestimulada. Julgam-la indigna de alguém civilizado e atribuímos somente a psicóticos a capacidade de praticá-la. Para surpresa nossa, psicoterapeutas famosos como George Bach e Herb Goldenberg, autores de um livro que em tradução alemã se chama “KEINE Angst Ver Agression”, ou seja, “Não Temas a Agressão” ficamos deveras perplexo com o que eles afirmam. Trata-se de um estudo sério de densa profundidade no tratamento acerca da conduta do homem e seu relacionamento com seus semelhantes. Dizem, por exemplo, que sem uma boa dose de animosidade entre duas pessoas, não pode haver amor. Estranho isto, porque estamos habituados pelo menos foram os nossos pais que nos ensinaram que a base do amor é necessariamente o respeito. Como então respeitarmos aqueles que nos detratam e nos agridem? Cristo nos ensinou a evitarmos os atritos, a oferecermos a outra face, como ele o fez, mas não teria sido isto uma hábil estratégia do nazareno? Não foi ele mesmo que chicoteou os vendilhões do templo? Não foi o mesmo Deus, bom e humilde de coração, quem prometeu a espada e o juízo final? Não poderíamos interpretar a renúncia dos grandes ascetas do mundo como uma atitude agressiva em relação à vida terrena? A inércia realmente nada constrói. SE a agressividade é necessária e inerente a natureza humana, então como canalizá-la num sentido verdadeiramente positivo? Há clínicas especializadas neste campo e com excelentes resultados. Portanto, não tentemos neutralizar esta fonte de energia criadora que é a agressividade, mas aprender a utilizá-la de forma eficaz. O homem tímido, pacífico, dócil, manso, “bonzinho”, é uma falácia total. O bloco dos fracassados acha-se repleto destes inofensivos. Ao nascermos, temos que gritar, nossos pulmões necessitam do ar imprescindível à vida, e para isto é preciso que haja ação do nosso organismo e assim começamos a fabulosa batalha contra a morte, este odiado adversário. Nossa luta continua e é graças a esta agressiva reação, que desempenhamos as nossas funções, para as quais provavelmente fomos programados geneticamente.
Vale salientar que a reação à morte é tão violenta que experiências em laboratórios foram realizadas para se constatar que inexplicavelmente partes seccionadas do tecido cardíaco, partículas ínfimas, vistas pelos pesquisadores através do microscópio eletrônico, se contraíam e reagiam num mecanismo aparentemente autoregula.
Os dois autores do livro referido anteriormente, fazem referência também ao perigo da mãe superprotetora que procura cobrir o filho de todas as regalias possíveis e imagináveis, mantendo-a numa redoma de cristal, evitando-o quaisquer frustrações e prodigalizando-o do mais absoluto amor. Estas crianças que se tornarão adultas mais tarde enfrentarão inevitavelmente enormes obstáculos os quais não saberão superá-los, porque ainda se acham infelizmente presos ao cordão umbilical. Serão, durante toda a vida, indivíduos frágeis, inseguros, medrosos, passivos, embora possam gozar a reputação de “ótimas pessoas”. O incapaz de ofender uma mosca, será o eterno ofendido. A ausência de sua protetora, ser-lhe-á intolerável e poderá lançá-lo em irreversíveis depressão.
A vida atual exige cada vez mais uma agressividade nossa, mas que seja criadora, a fim de permitir que possamos realizar algo de útil a nós mesmos e aos que nos cercam. Cruzarmos os braços, em atitude omissa ou nos entregarmos a uma posição meramente contemplativa, sem ação nenhuma, sem dúvida não poderá ser uma solução ao grave problema da comunicação entre os homens.