O emérito professor e historiador Prof. José Honório Rodrigues, explica-nos fundamentado em dados históricos comprovados que os acontecimentos vinculados às Ilhas Falklands (ou “Malvinas”, como chamam os argentinos) não justificam, de modo nenhum, a invasão perpetrada pelo General Galtieri e sua junta militar, com a precípua e indisfarçável intenção de desviar a preocupação do povo argentino com os desmandos, injustiças e arbitrariedades praticadas contra um povo de longa e sólida tradição sócio-cultural. Um país que produziu um detentor do prêmio Nobel da Paz é o mesmo que assume atitude agressiva contra outros seres humanos. Em nome de um nacionalismo de características nitidamente fascistas — que nos recorda o desvairado nacional-socialismo hitleriano —, ao aproveitar-se de uma inflação galopante de 150%, não controlada pelo governo ávido em ocultar corrupções, que remontam, na melhor das hipóteses, a Perón, a Argentina, que já fora a capital do continente sul-americano, se desmoraliza vergonhosamente diante dos olhos perplexos do mundo, numa guerra suicida, não declarada, derramando o sangue de seus compatriotas num solo estranho, inóspito, quase inabitável, antes povoado por tranqüilas ovelhas e humildes pastores. Talvez se possa erguer a hipótese que aquelas ilhas pertençam mesmo às focas e aos leões marinhos que habitam suas águas. Quem sabe, é uma terra de ninguém. Na realidade, porém, foram os britânicos quem primeiro sentaram os pés naquelas ilhas, deixando a prova numa placa em bronze. Aquelas terras estiveram ao sabor da cobiça de piratas ou mercenários, contratados por franceses, espanhóis e até norte-americanos. Era a época da pirataria oficializada ou não e o que ocorria era óbvio.
Após a independência argentina em 1810, os espanhóis abandonam o arquipélago e quarenta e cinco anos depois, cerca de duas mil pessoas de procedência britânica se estabeleceram nas ilhas e estas obtiveram o “status” de colônia, embora rigorosamente não o fossem, pois não havia nativos quando as Falklands foram submetidas à soberania da coroa britânica.
Houve tentativas de certa maneira inúteis, por parte da Corte Internacional de Justiça em 1947, para se resolver a questão suscitada pelos argentinos, os quais afirmavam ser seus legítimos herdeiros. O problema foi desviado para a exploração pacífica e científica do Continente Antártico.
As Falklands pertencem aos britânicos por um motivo muito simples; seus habitantes se recusam a ser governados por uma nação com a qual nada têm em comum, em termos de tradição e cultura. O Mercado Comum Europeu assim como as Nações Unidas (que alguns partidários da causa argentina desejavam transferir para Costa Rica ou Brasil) condenaram tacitamente a invasão portenha.
Afirma o historiador Prof. José Honório Rodrigues (em oposição aos frágeis e “estratégicos” argumentos do Prof. Hélio Jaguaribe) que a herança transmitida pelos espanhóis é inadmissível e juridicamente repudiada.
Enfim, o arquipélago ao sul do continente sul-americano é território da Grã-Bretanha há mais de um século e não vislumbramos nenhuma ameaça à tão controvertida união da Organização dos Estados Americanos.